Sete bilhões de seres humanos: e agora?
VÉRONIQUE KIESEL
DO "LE SOIR", EM BRUXELAS
DO "LE SOIR", EM BRUXELAS
31/10/2011 - 07h05
Em 2100 a Europa terá 675 milhões de habitantes, 64 milhões a menos do que hoje, enquanto a África terá 2,5 bilhões de habitantes e a Ásia liderará com 4,5 bilhões.
Será que a velha Europa corre risco de desaparecimento diante do crescimento populacional desses dois continentes? Não chegamos a esse ponto. Mas com índices de natalidade que não permitem reposição populacional, nossos países têm de enfrentar certas inquietudes: quem pagará as pensões dos futuros aposentados, dentro de algumas décadas? Nosso sistema social, tão apreciado -será que naufragará?
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Por sorte, podemos contar com... a imigração. Ainda que os dirigentes europeus tendam a fazer da Europa uma fortaleza, cerrando todas as rotas de acesso à chegada de imigrantes, são exatamente esses estrangeiros "extracomunitários" que já hoje evitam queda ainda pior no índice de natalidade. E também já temos necessidade deles para ocupar certas funções qualificadas, especialmente nos hospitais -uma tendência que deve crescer.
Diante de um planeta mais e mais povoado, a Europa também terá de se adaptar: adotar um modelo de vida menos glutão quanto à energia, aos alimentos, à geração de poluentes. As consequências de nossas ações aqui afetam intensamente as populações do sul.
Certos países europeus já avançaram bastante a caminho de uma "economia verde", e outros mal se moveram. Devemos todos nos dedicar a essa tarefa, e os Estados precisam apoiar financeiramente os esforços dos cidadãos.
E se ajudássemos aldeias africanas a se equiparem com painéis solares? E se reduzíssemos as nossas proteções à agricultura para deixar de concorrer deslealmente com os camponeses do sul? Tudo isso é assunto de escolhas políticas.
Cabe a nós fazer as certas.
VÉRONIQUE KIESEL é jornalista do "Soir", da Bélgica.
TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI

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