PEDRO SOARES
DO RIO
DO RIO
11/10/2012 - 15h36
Diante
de uma taxa de natalidade de apenas 1,7% (comparável a países como França e
Reino Unido), o Brasil caminha rapidamente para uma estagnação de sua
população. O Ipea projeta 200 milhões de pessoas em 2020. Vinte anos mais
tarde, em 2040, esse número crescerá em apenas 4 milhões, prevê o instituto
ligado à Presidência da República.
Segundo
dados da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), viviam no
país 195,2 milhões de pessoas em 2011. "O germe do declínio populacional
já está instalado no país, que são as baixas taxas de fecundidade e o reduzido
crescimento da população", disse Ana Amélia Camarano, demógrafa do Ipea.
Para
a pesquisadora, o aumento populacional atual de apenas 0,7% ao ano e a menor
natalidade --que deve chegar a 1 filho por mulher em 2030-- fazem o país migrar
de uma "explosão de população" no passado para uma "implosão de
população" no futuro próximo, acompanhada do envelhecimento da estrutura
etária do país.
Um
dos problemas da estrutura etária envelhecida é que a força de trabalho também
recua, reduzindo a capacidade produtiva do país. "Há apenas 20 anos ainda
falávamos em explosão populacional. O problema agora é outro. A questão é como
prover saúde e condições de autonomia a uma população cada vez mais
envelhecida", afirmou a demógrafa.
De
acordo com Camarano, as mulheres brasileiras tinham cerca de 6 filhos, em
média, nos anos 50 e 60. Naquele período, a população crescia a um ritmo anual
superior a 3%. "Foi o nosso período do 'baby boom'", afirma.
A
taxa de fecundidade foi rapidamente declinando (com adventos como a pílula e
outros métodos contraceptivos e o aumento do nível de educação) nos últimos
anos. Atualmente, diz, ela está num nível "consideravelmente abaixo"
da chamada taxa de reposição da população --de 2,14 filhos por mulher.
A lógica embutida nessa taxa é a seguinte: cada mulher tem de gerar duas crianças para "repor" o pai e ela própria; o 0,14 adicional é para compensar sobretudo aqueles que morrem antes de terem filhos.
A lógica embutida nessa taxa é a seguinte: cada mulher tem de gerar duas crianças para "repor" o pai e ela própria; o 0,14 adicional é para compensar sobretudo aqueles que morrem antes de terem filhos.
Com
tal dinâmica, prevê, só as faixas etárias acima de 45 anos vão crescer a partir
de 2030. De 2040 em diante, a única parcela que crescerá em números absolutos
será a de 60 anos ou mais.
O
Brasil caminha rapidamente, afirma, para ter um perfil populacional
"bastante envelhecido" e de fecundidade muito baixa (em torno ou
pouco acima de 1 filho por mulher), comparável aos países do sul da Europa
(Portugal, Espanha, Itália e Grécia, sobretudo) e do Japão.
França
e Reino Unido, diz, ainda mantêm uma estrutura um mais jovem e taxa de
fecundidade maior graças ao peso da imigração.
FECUNDIDADE
POR RENDA
Para
Ana Amélia Camarano, do Ipea, a desigualdade na taxa de fecundidade entre
mulheres de faixas diferentes de renda abre caminho para uma a queda rápida até
os níveis dos países europeus do mediterrâneo e do Japão. Isso num cenário que
em o rendimento dos mais pobres no Brasil avança mais rápido do que dos mais
ricos.
Enquanto
entre as mulheres da faixa de renda com os 20% menores rendimentos familiares a
taxa de natalidade era de 3,6 filhos, na faixa dos grupos familiares dos 20%
mais ricos estava em 0,9 filho --abaixo da taxa japonesa.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1167800-taxa-de-natalidade-cai-e-populacao-brasileira-deve-parar-de-crescer.shtml
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