DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
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21/12/2011 - 11h52
O Conselho Nacional Sírio (CSN), grupo que reúne a oposição ao regime de Bashar Assad, pediu nesta quarta-feira por uma "ação imediata" por parte da Liga Árabe e do Conselho de Segurança da ONU para pressionar pelo fim do "massacre" realizado pelas forças leais ao ditador contra dissidentes.
O órgão solicitou a realização de uma reunião urgente do Conselho de Segurança para tratar "dos massacres" nas províncias sírias de Homs e Idlib. Grupos opositores sírios denunciaram a morte de mais de cem pessoas nos últimos dois dias devido à repressão. Há relatos de que as mortes podem chegar a 250.
De acordo com informações da rede de TV Al Jazeera, com sede no Qatar, a violência contra dissidentes aumentou em um momento em que soldados desertores tomaram controle de algumas cidades e vilas, criando também um tipo de refúgio para manifestantes de outras regiões.
Ainda segundo o veículo, a província de Idlib é um foco de preocupação do regime por estar perto da fronteira com a Turquia, que passou a criticar as autoridades sírias e apoiar o movimento opositor. A tomada da província significaria a liberação de uma rota de suprimentos.
O CNS afirmou também que Assad negocia "com dois países europeus" uma solução para o regime. "O regime sírio rejeitou todas as propostas para solucionar o conflito de forma pacífica, mas Bashar Assad está negociando agora uma saída com dois países europeus", disse o responsável de comunicação, Ahmed Ramadan.
Ramadan voltou a defender que "Assad deve deixar o poder e entregá-lo à oposição e ao órgão que o representa". "Nós propomos a Assad e à Síria um período transitório com um governo pluralista que representará, inclusive, atuais responsáveis que não estejam envolvidos na repressão", disse.
| Darrin Zammit Lupi/Reuters | ||
Sírios que vivem em Malta participam de protesto na capital, Valletta, contra o ditador sírio Bashar Assad |
Segundo ele, a intenção da oposição é "cooperar com o Exército para proteger a segurança da nação" e "manter as instituições do Estado", evitando que se repita a experiência do Iraque, onde as forças de ocupação dos Estados Unidos derrubaram o Exército após a ocupação.
PRESSÃO
No início da semana, Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que condena os direitos humanos na Síria, onde a repressão do regime a protestos populares deixaram mais de 5.000 mortos, segundo estimativas da própria ONU.
Apesar da estimativa, o regime se defende dizendo que está combatendo grupos armados terroristas apoiados por interesses estrangeiros. Segundo as autoridades sírias, cerca de 1.100 membros das forças de segurança já morreram nas ações contra o terrorismo no país.
Na terça-feira, Assad promulgou uma lei que estabelece pena de morte para quem distribuir ou contribuir na distribuição de armamentos para grupos que "planejam cometer atos terroristas", em sinal de que o regime, apesar das promessas, continua suas ações repressivas contra a população.
Segundo a agência estatal de notícias Sana, a lei prevê ainda punição perpétua de trabalho forçado para quem contrabandear armas com o objetivo de traficá-las para quem quer cometer "atos terroristas".
A notícia chegou um dia depois de o regime assinar no Cairo o acordo da Liga Árabe que prevê a entrada de observadores internacionais na Síria, como parte do esforço internacional para pôr fim à repressão aos protestos populares que, desde meados de março, pedem a saída de Assad do poder.
A primeira delegação de observadores, que incluirá especialistas em segurança e administração, além de juristas oriundos de todos os países árabes, deve ser enviada a Damasco amanhã.
| Reuters | ||
Manifestantes protestam contra ditador sírio, Bashar Assad |


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