sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

PIB da China faz ‘pouso suave’ com alta de 9,2% em 2011

Crescimento supera previsões do governo, mas fica abaixo do resultado de 2010

Publicado:17/01/12 - 3h01

RIO — O Produto Interno Bruto (PIB, total de bens e serviços produzidos no país) da China fez um “pouso suave” com o crescimento de 9,2% em 2011, na opinião de economistas entrevistados pelo GLOBO nesta terça-feira. O resultado superou as previsões de analistas e a meta do governo de avançar 8%, mas mostra uma acomodação do ritmo de expansão, já que em 2010 a taxa de crescimento foi de 10,3%. O PIB chinês terminou 2011 em 47,15 trilhões de iuanes, ou cerca de US$ 7,46 trilhões.
O crescimento no quarto trimestre de 2011 foi de 8,9%, dois décimos a menos que no terceiro e a menor alta trimestral em dois anos e meio, quando a China avançou 7,9%.
Mesmo com a pequena desaceleração em 2011, a China ainda deve registrar a maior taxa de crescimento entre os países relevantes no ano de 2011. Segundo levantamento da Austin Rating, apenas Arábia Saudita divulgou o PIB consolidado de 2011 até o momento, que registrou avanço de 6,7%. A Alemanha também divulgou uma estimativa preliminar do crescimento em 2011, de 3,0%, que ainda pode ser revisada.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, diz que o PIB chinês mostrou desaceleração, mas que isso não aumenta o risco de uma nova crise global em 2012.
— O PIB menor da China, e provavelmente dos demais emergentes, está de acordo com a forte elevação de 2010 depois do desastre de 2009. Mas também é um sinal de arrefecimento econômico devido aos efeitos colaterais negativos produzidos pela crise de crédito nos chamados "desenvolvidos" — diz Agostini.
O economista Fernando Rocha, sócio responsável pela análise macroeconômica da gestora JGP recursos, avalia que essa desaceleração econômica não oferece riscos ao Brasil, já que diminui a chance de uma freada brusca mais à frente. A China é o maior importador de mercadorias vendidas pelo Brasil e analistas temem que uma redução do consumo venha a prejudicar empresas brasileiras.
— Essa desaceleração suave é boa, porque o crescimento se torna mais sustentável — diz Rocha.
Já Fabio Kanczuk, professor da USP, avalia que o "pouso chinês", mesmo suave, vai afetar negativamente de alguma forma as empresas brasileiras exportadoras de commodities. Mas, ao mesmo tempo, essa perda de força pode ajudar a indústria brasileira, prejudicada pela concorrência chinesa.
— A taxa de crescimento deve vir ainda menor em 2012. É ruim para o Brasil, mas bom pra indústria brasileira porque talvez o câmbio suba um pouco — diz Kanczuk.
O comissário do organismo de estatísticas, Ma Jiantang, ressaltou que, em 2011, "frente a um ambiente internacional complicado e volátil", a China tomou medidas macroeconômicas que 'representaram um bom começo para o Plano Quinquenal 2011-2015'.
A instituição também publicou outros dados macroeconômicos do ano passado, como o investimento em ativos fixos, que em 2011 ascendeu a 30,19 trilhões de iuanes, aproximadamente US$ 4,77 trilhões, um crescimento anual de 23,8%.
Quanto às vendas no varejo, principal indicador do consumo e fator macroeconômico que Pequim deseja estimular nos próximos anos para atenuar a redução das exportações, a soma foi de 18,12 trilhões de iuanes (US$ 2,86 trilhões), um aumento de 17,1%.
O ano passado foi marcado na China pela luta de seu governo contra a inflação, as tentativas de contenção do crédito e do setor imobiliário e o freio das exportações.



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