sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

População urbana supera a rural na China pela primeira vez

Publicado em: 17/01/2012

A China tinha mais residentes em áreas urbanas do que rurais no ano passado pela primeira vez na história, segundo dados oficiais. Esse é um marco demográfico que também aponta para problemas na oferta de trabalho na segunda economia mundial. Um total de 51,27% do 1,347 bilhão de habitantes na porção continental chinesa vivia em cidades no final de 2011, afirmou o Agência Nacional de Estatísticas da China.
Globalmente, em torno de 51% dos 7 bilhões de habitantes do planeta vivem em cidades, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Em contraste, 30% dos habitantes da Índia, o segundo país mais populoso do mundo depois da China, vivem em cidades, enquanto 82% dos americanos moram em áreas urbanas.
A rápida urbanização na China nas últimas três décadas sustentou o seu desempenho econômico estelar à medida que milhões de pessoas trocavam as residências rurais por povoados e cidades, à procura de melhores salários e empregos.
A população rural da China diminuiu em 14,5 milhões de pessoas somente em 2011, o mesmo tamanho do Camboja, de acordo com os dados.
Mas a taxa de urbanização está mais devagar e arrastando a oferta de trabalho. Mas a grande mudança das pessoas do interior para as cidades está longe de acabar e ainda deve continuar guiando a economia chinesa nos próximos anos.
O rápido envelhecimento da população eleva as tensões no país. O número de chineses acima de 65 anos é quase o tamanho de toda a população do Japão, de 122,9 milhões.
O chefe da agência de estatísticas, Ma Jiantang, disse que a queda na oferta de trabalho é essencial para sustentar o alvo de 7% de crescimento econômico do governo chinês, entre 2011 e 2015. Analistas concordam que a oferta de trabalho no país está minguando, mas há debates sobre se a China está próxima ou cruzando o ponto de virada Lewis - uma teoria de que salários em nações em desenvolvimento começam a crescer uma vez que haja escassez no trabalho rural.
Os salários médios chineses já estão subindo, embora partindo de baixos níveis. A renda disponível urbana per capita cresceu 14% para 21.810 iuanes (3,500 dólares) em 2011 em relação ao ano anterior, enquanto a renda rural per capita era de 6.977 iuanes. Analistas dizem que a média salarial minimiza a disparidade de renda ente os chineses, mas que é difícil identificar essa diferença, uma vez que a China não publica um coeficiente Gini nacional - medida amplamente utilizada para a divisão de riquezas.
O índice Gini para a China rural ficou em 0,4 no final de 2011, sugerindo uma distribuição de renda intermediária, com 1 sendo a mais desigual e 0 indicando igualdade na distribuição de riquezas.

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