DE TEERÃ
25/06/2012
O novo presidente do Egito, Mohamed Mursi, defendeu em entrevista à imprensa iraniana a normalização das relações com Teerã, que por sua vez não esconde a satisfação com a vitória de um candidato islamita na eleição egípcia.
O esboço de reaproximação entre duas potências regionais que por décadas tiveram agendas geopolíticas diametralmente opostas deve gerar preocupação por parte de EUA e Israel, favoráveis ao isolamento internacional do Irã.
"Parte da minha agenda consiste em desenvolver os laços entre o Irã e Egito para criar um equilíbrio estratégico na região", disse Mursi anteontem à agência Fars, ligada à cúpula do regime iraniano.
A declaração é tida como sinal de convergência com o Irã numa frente contrária ao domínio do Oriente Médio por países aliados do Ocidente e de Israel, com quem o Egito tem um acordo de paz rejeitado por boa parte da população egípcia.
Foi esse pacto com Israel, firmado em 1979, que levou a República Islâmica do Irã a romper com o Egito, no ano seguinte.
Desde então, o Egito, país de maioria árabe sunita governado por militares seculares, tornou-se um aliado chave dos EUA no Oriente Médio.
Já o Irã, nação de maioria persa xiita, é dirigido por clérigos que rejeitam a influência e os interesses ocidentais no Oriente Médio.
Apesar de Mursi ter declarado ontem no discurso de vitória eleitoral que respeitaria o acordo com Israel, a Fars afirma ter ouvido do presidente egípcio que ele pretende "reavaliar" o tratado.
IRÃ X EGITO
Os acenos de Mursi coincidem com a contentamento das autoridades iranianas acerca da vitória de um islamita no país árabe mais populoso.
Um dos primeiros governos a parabenizar Mursi, Teerã elogiou a "dinâmica revolucionária do povo egípcio". Os termos usados pelo comunicado oficial refletem a tese oficial iraniana de que as revoltas árabes são a continuação da Revolução Islâmica de 1979 no Irã.
O deputado Alaeddin Boroujerdi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores do Parlamento iraniano, disse que a elevação dos laços diplomáticos para o nível de embaixador é uma questão de tempo.
Hoje Irã e Egito mantêm relações em nível de encarregado de negócios, título dado a chefes de missão que não ocupam o cargo de embaixador.
DIVERGÊNCIAS
Apesar do entusiasmo retórico, divergências separam os governos egípcio e iraniano. O Egito, por exemplo, rejeita o apoio do Irã ao regime sírio de Bashar Assad.
Além disso, a agenda externa iraniana é norteada pela rejeição ao modelo de islã sunita praticado pela Irmandade Muçulmano, grupo de onde surgiu Mursi.
Segundo analistas, Egito e Irã podem melhorar a relação bilateral, mas continuarão sendo potências regionais com interesses rivais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário